Já imaginou seu clube do coração pedir sua camisa na arquibancada para o atleta participar de um jogo momentos antes da partida? Pois é, este fato aconteceu com Rafael Araldi em 2000, numa partida do Inter de Lages, válida pela Série B do Campeonato Catarinense.
Rafael Araldi é jornalista, torcedor fanático do Internacional e neto de um dos fundadores do clube, Armindo Araldi. Então o EsporteSC Lages conversou com ele para saber mais sobre esse fato inusitado e marcante para o torcedor.
Em 2000 o Inter vivia uma crise financeira e tinha uma estrutura precária. Mesmo com todos os empecilhos, foi campeão catarinense. O clube possuía apenas dois jogos de camisas para a disputa do campeonato, uma branca e uma vermelha.

Foto: Divulgação
Nesse período, uma loja de Lages descobriu quem era o fornecedor de camisas do Inter e encomendou apenas duas para a venda. Rafael Araldi sabendo disso, precisava ter uma delas. “Só tinhas duas camisas para vender, a número 10. Eu fui lá com 14 anos e comprei a única camisa vermelha que tinha, igual à que o Inter jogava, só eu possuía uma daquela”, conta Araldi.
“Só tinhas duas camisas para vender, a número 10. Eu fui lá com 14 anos e comprei a única camisa vermelha que tinha, igual à que o Inter jogava, só eu possuía uma daquela”, conta Rafael Araldi.
Em uma partida no Estádio Municipal Vidal Ramos Júnior, o camisa 10 foi Mazinho, filho do treinador Roberto Caramuru, campeão pelo Inter em 1965. Ele fez o gol no final do jogo, tirou a camisa e arremessou para a torcida. “Na partida seguinte, como o Inter não possuía outra camisa 10 vermelha, com a 10 não tinha mais como jogar, os jogadores entraram em campo com a numeração de 1 a 11, e quem usaria a 10 entrou com a camisa 19”, explica o torcedor.
“Na partida seguinte, como o Inter não possuía outra camisa 10 vermelha, com a 10 não tinha mais como jogar. Os jogadores entraram em campo com a numeração de 1 a 11, e quem usaria a 10 entrou com a camisa 19”, explica o torcedor.
Quem jogou com a camisa 19 foi o Nando Lambada, jogador com passagens por Grêmio e Vasco. Era veterano e estava no fim de carreira, então veio para o Internacional.
Araldi conta que as pessoas presentes no estádio estranharam o Leão Baio não ter um camisa 10. “Eu era o único que possuía outra camisa, pois quem pegou a que foi arremessada para a arquibancada ninguém tem notícia” relata o torcedor.
Quando faltava dez minutos para o início da partida e os jogadores estavam em fase final de aquecimento, o massagista do Leão Baio viu que Araldi estava com uma camisa igual à dos jogadores. Então subiu até a arquibancada e o convenceu a trocar a 10 pela 19. “Na hora até relutei, falei que não ia trocar a camisa 10 pela 19, é uma camisa histórica no futebol. Mas o massagista me convenceu. Há 21 anos eu tenho guardada comigo essa camisa, são um dos momentos que tenho com o Internacional de Lages que este ano completa 73 anos”, relembra Araldi.
“Na hora até relutei, falei que não ia trocar a camisa 10 pela 19, é uma camisa histórica no futebol. Mas o massagista me convenceu”, conta o torcedor.

O torcedor conta ter uma relação especial com o avô para aproveitar cada momento ao seu lado. “Minha relação é muito boa, aproveito o tempo que passamos juntos para aprender mais sobre as histórias do Internacional e a sua experiência como ex-presidente do clube”, finaliza Araldi.